MÊS DE MARIA
Para todos aqueles que tenham uns minutos do seu tempo para parar e pensar no mês de Maio/Maria. Vejam e revejam os vídeos seguintes:
terça-feira, 19 de maio de 2009
terça-feira, 5 de maio de 2009
DIÁRIO
Presidente da CEP fala de «ataques» à família
D. Jorge Ortiga deixa críticas à legalização do matrimónio entre homossexuais e à banalização do aborto.
O presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), D. Jorge Ortiga, deixou esta Segunda-feira duras críticas às políticas do governo em matérias relacionadas como o casamento, o aborto e a eutanásia.
O Arcebispo de Braga fez uma referência directa à tentativa de “redefinição legal do casamento (e, desse modo, do conceito de família), de modo a nele incluir uniões entre pessoas do mesmo sexo”, situação que classificou como “grave”.
Falando no discurso de abertura da Assembleia Plenária da CEP, que decorre em Fátima até dia 24, este responsável defendeu que “a identidade própria da família” não pode “confundir-se com qualquer outro tipo de convivência”.
Mais à frente, D. Jorge Ortiga condenou a “banalização” do divórcio, afirmando que “as recentes alterações legislativas ao regime do divórcio, que o facilitam ainda mais e que tornam o casamento civil o mais instável dos contratos, não podem deixar de ser apontadas como sinal negativo”.
Para o Arcebispo de Braga, “os cidadãos têm o direito de saber qual a concepção de política familiar subjacente aos vários programas”, frisando que “seria bom que os candidatos apresentassem propostas reflectidas sobre estas questões, que são mais decisivas para o futuro da sociedade do que muitas outras que ocupam lugares de primazia em agendas partidárias e em primeiras páginas de jornais e noticiários”.
“A desestruturação familiar chega a estar na origem de fenómenos tão graves como a toxicodependência e a delinquência juvenil. Mas mesmo quando não se atingem estes extremos, não pode dizer-se que será salutar uma sociedade onde a situação de crianças que não são simultaneamente educadas pelo pai e pela mãe deixou de ser excepção e passou a ser regra”, apontou o presidente da CEP.
D. Jorge Ortiga disse também que “a convivência familiar é também, por vezes, a ocasião que propicia fenómenos de violência doméstica, que representam a completa perversão dos valores familiares”.
“Sem descurar a acção dos sistemas policial e judicial na repressão deste fenómeno, há que salientar a importância da prevenção, o que também depende da educação e da preparação para o casamento”, indicou.
Aborto e eutanásia
As críticas do Arcebispo de Braga alargaram-se às “ameaças e atitudes de negação do direito a nascer e a viver”, apontando o dedo a uma “mentalidade deliberadamente anti-natalista”.
D. Jorge Ortiga referiu que a “legalização do aborto” levou a uma “banalização crescente dessa prática”. “Como se revelam agora enganadoras as declarações de que a legalização permitira conter o número dos abortos, através de sistemas de aconselhamento”, acusa.
O discurso do presidente da CEP passou ainda pelas “anunciadas propostas de legalização da eutanásia, que apresentam a morte como resposta ao sofrimento da doença e da fase terminal da vida”.
“Há que valorizar a vida, mesmo na doença e na sua fase terminal. A doença não retira dignidade à vida”, defende D. Jorge Ortiga.
Para a Igreja, prosseguiu, “a vida biológica, desde a concepção até à morte, possui uma sacralidade intrínseca, uma dignidade inalienável e originária que lhe confere um valor único e irrepetível”.
O presidente do episcopado português aplaudiu “medidas recentes de aumento dos abonos de família ou de alargamento das licenças de maternidade e paternidade”, mas lembrou que persiste “a injustiça de um sistema fiscal que discrimina negativamente as pessoas casadas e que não tem em devida conta os encargos que os filhos representam”.
Noutro âmbito, o Arcebispo de Braga apontou o dedo à “legislação, recentemente aprovada, que consagra a obrigatoriedade da disciplina de educação sexual, sem atender à necessidade de respeitar as convicções das famílias, pode vir a traduzir-se noutro atentado aos seus direitos”. “Atendendo a experiências já realizadas entre nós, são justificados os receios de que os programas dessa disciplina possam chocar com as concepções éticas das famílias em matéria tão delicada”, acrescentou.
Crise
Numa intervenção que abordou diversos temas da actualidade, D. Jorge Ortiga frisou que “o cenário de crise económica, que já se verifica e que tenderá a agravar-se nos próximos tempos, torna particularmente gravoso o futuro de muitas famílias”.
“Esta crise económica poderá servir, precisamente, para descobrir novas formas de organização económica, mais fraternas e solidárias, mais à medida da pessoa e da família”, disse.
O Arcebispo de Braga assinalou que “perante a crescente exclusão social, só uma verdadeira integração de todos – pessoas e grupos sociais – permitirá que a pobreza e a discriminação não proliferem”.
Após falar no “espectro da pobreza, tantas vezes envergonhada”, este responsável observou que “a falência do sistema económico-financeiro exige uma solução global, onde a participação de cada um faça com que as coisas materiais sejam colocadas ao serviço do bem comum”.
Neste contexto, D. Jorge Ortiga acusou os empresários que “abandonaram o barco com atitudes fraudulentas, não respeitando as mínimas exigências éticas” e os trabalhadores que “caminham na ilusão de acreditar em realidades que não existem”.
“Só com maior sobriedade, austeridade e compromisso colectivo ultrapassaremos o que parece inevitável”, referiu.
O presidente da CEP deixou claro que “o direito ao trabalho é primário e condicionante da dignidade da pessoa humana”.
“Negar ou não proporcionar que todos possam exercer uma actividade que permita o essencial para viver, significa gerar fenómenos de exclusão e marginalidade social, potencialmente causadores de insegurança, violência ou incapacidade de vida em comum no respeito por todos”, alertou, antes de referir ao “problema dos desempregados envergonhados, que nunca poderemos ignorar”.
Em conclusão, o presidente da CEP fez votos de que “Portugal tenha a certeza de que a Igreja acompanha os sofrimentos de todos para fazer alimentar a esperança num amanhã menos cansado, porque cheio de serenidade e alegria”.
“Com o Santo Condestável, inventemos modos novos de servir a causa do Evangelho para que, a partir da família, criemos condições para uma Igreja com futuro e um Portugal com esperança”, disse, lembrando a próxima canonização de Nuno Álvares Pereira.
Presidente da CEP fala de «ataques» à família
D. Jorge Ortiga deixa críticas à legalização do matrimónio entre homossexuais e à banalização do aborto.
O presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), D. Jorge Ortiga, deixou esta Segunda-feira duras críticas às políticas do governo em matérias relacionadas como o casamento, o aborto e a eutanásia.
O Arcebispo de Braga fez uma referência directa à tentativa de “redefinição legal do casamento (e, desse modo, do conceito de família), de modo a nele incluir uniões entre pessoas do mesmo sexo”, situação que classificou como “grave”.
Falando no discurso de abertura da Assembleia Plenária da CEP, que decorre em Fátima até dia 24, este responsável defendeu que “a identidade própria da família” não pode “confundir-se com qualquer outro tipo de convivência”.
Mais à frente, D. Jorge Ortiga condenou a “banalização” do divórcio, afirmando que “as recentes alterações legislativas ao regime do divórcio, que o facilitam ainda mais e que tornam o casamento civil o mais instável dos contratos, não podem deixar de ser apontadas como sinal negativo”.
Para o Arcebispo de Braga, “os cidadãos têm o direito de saber qual a concepção de política familiar subjacente aos vários programas”, frisando que “seria bom que os candidatos apresentassem propostas reflectidas sobre estas questões, que são mais decisivas para o futuro da sociedade do que muitas outras que ocupam lugares de primazia em agendas partidárias e em primeiras páginas de jornais e noticiários”.
“A desestruturação familiar chega a estar na origem de fenómenos tão graves como a toxicodependência e a delinquência juvenil. Mas mesmo quando não se atingem estes extremos, não pode dizer-se que será salutar uma sociedade onde a situação de crianças que não são simultaneamente educadas pelo pai e pela mãe deixou de ser excepção e passou a ser regra”, apontou o presidente da CEP.
D. Jorge Ortiga disse também que “a convivência familiar é também, por vezes, a ocasião que propicia fenómenos de violência doméstica, que representam a completa perversão dos valores familiares”.
“Sem descurar a acção dos sistemas policial e judicial na repressão deste fenómeno, há que salientar a importância da prevenção, o que também depende da educação e da preparação para o casamento”, indicou.
Aborto e eutanásia
As críticas do Arcebispo de Braga alargaram-se às “ameaças e atitudes de negação do direito a nascer e a viver”, apontando o dedo a uma “mentalidade deliberadamente anti-natalista”.
D. Jorge Ortiga referiu que a “legalização do aborto” levou a uma “banalização crescente dessa prática”. “Como se revelam agora enganadoras as declarações de que a legalização permitira conter o número dos abortos, através de sistemas de aconselhamento”, acusa.
O discurso do presidente da CEP passou ainda pelas “anunciadas propostas de legalização da eutanásia, que apresentam a morte como resposta ao sofrimento da doença e da fase terminal da vida”.
“Há que valorizar a vida, mesmo na doença e na sua fase terminal. A doença não retira dignidade à vida”, defende D. Jorge Ortiga.
Para a Igreja, prosseguiu, “a vida biológica, desde a concepção até à morte, possui uma sacralidade intrínseca, uma dignidade inalienável e originária que lhe confere um valor único e irrepetível”.
O presidente do episcopado português aplaudiu “medidas recentes de aumento dos abonos de família ou de alargamento das licenças de maternidade e paternidade”, mas lembrou que persiste “a injustiça de um sistema fiscal que discrimina negativamente as pessoas casadas e que não tem em devida conta os encargos que os filhos representam”.
Noutro âmbito, o Arcebispo de Braga apontou o dedo à “legislação, recentemente aprovada, que consagra a obrigatoriedade da disciplina de educação sexual, sem atender à necessidade de respeitar as convicções das famílias, pode vir a traduzir-se noutro atentado aos seus direitos”. “Atendendo a experiências já realizadas entre nós, são justificados os receios de que os programas dessa disciplina possam chocar com as concepções éticas das famílias em matéria tão delicada”, acrescentou.
Crise
Numa intervenção que abordou diversos temas da actualidade, D. Jorge Ortiga frisou que “o cenário de crise económica, que já se verifica e que tenderá a agravar-se nos próximos tempos, torna particularmente gravoso o futuro de muitas famílias”.
“Esta crise económica poderá servir, precisamente, para descobrir novas formas de organização económica, mais fraternas e solidárias, mais à medida da pessoa e da família”, disse.
O Arcebispo de Braga assinalou que “perante a crescente exclusão social, só uma verdadeira integração de todos – pessoas e grupos sociais – permitirá que a pobreza e a discriminação não proliferem”.
Após falar no “espectro da pobreza, tantas vezes envergonhada”, este responsável observou que “a falência do sistema económico-financeiro exige uma solução global, onde a participação de cada um faça com que as coisas materiais sejam colocadas ao serviço do bem comum”.
Neste contexto, D. Jorge Ortiga acusou os empresários que “abandonaram o barco com atitudes fraudulentas, não respeitando as mínimas exigências éticas” e os trabalhadores que “caminham na ilusão de acreditar em realidades que não existem”.
“Só com maior sobriedade, austeridade e compromisso colectivo ultrapassaremos o que parece inevitável”, referiu.
O presidente da CEP deixou claro que “o direito ao trabalho é primário e condicionante da dignidade da pessoa humana”.
“Negar ou não proporcionar que todos possam exercer uma actividade que permita o essencial para viver, significa gerar fenómenos de exclusão e marginalidade social, potencialmente causadores de insegurança, violência ou incapacidade de vida em comum no respeito por todos”, alertou, antes de referir ao “problema dos desempregados envergonhados, que nunca poderemos ignorar”.
Em conclusão, o presidente da CEP fez votos de que “Portugal tenha a certeza de que a Igreja acompanha os sofrimentos de todos para fazer alimentar a esperança num amanhã menos cansado, porque cheio de serenidade e alegria”.
“Com o Santo Condestável, inventemos modos novos de servir a causa do Evangelho para que, a partir da família, criemos condições para uma Igreja com futuro e um Portugal com esperança”, disse, lembrando a próxima canonização de Nuno Álvares Pereira.
sábado, 2 de maio de 2009
Magnificat
A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus, meu salvador.
Porque pôs os olhos na humildade da sua serva: de hoje em diante
me chamarão bem-aventurada todas as gerações.
O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas: Santo é o seu nome.
A sua misericórdia se estende de geração em geração sobre aqueles que O temem.
Manifestou o poder do seu braço e dispersou os soberbos.
Derrubou os poderosos de seus tronos e exaltou os humildes.
Aos famintos encheu de bens e aos ricos despediu de mãos vazias.
Acolheu a Israel, seu servo, lembrado da sua misericórdia,
como tinha prometido a nossos pais, a Abraão e à sua descendência para empre.
Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo,
como era no princípio, agora e sempre.
Amen.
sexta-feira, 1 de maio de 2009
quarta-feira, 8 de abril de 2009
DIÁRIO
Semana Santa: Programação
1. Na Igreja de Nª Sª Auxiliadora (Salesianos)
Quinta-Feira Santa: 18.30h - Eucaristia comemorativa da Última Ceia e da Instituição da Eucaristia, com lava-pés.
Sexta-Feira Santa: 18.30h - Celebração da Paixão do Senhor com adoração da Cruz e Comunhão.
2. Na Sé
Quinta-Feira Santa: 10.00h - missa crismal, renovação das promessas sacerdotais e benção dos santos Óleos.
18.30h - Missa da Ceia do Senhor seguida de adoração eucaristica. (das 22.00h às 23.00h, a cargo da Paróquia de Nª Sª Auxiliadora).
Sexta -Feira Santa:10.00h - celebração de Laudes;
15.00h - celebração da Paixão do Senhor com adoração da cruz e comunhão.
Sábado Santo: 10.00h - celebração de Laudes; 21.30h - Solene Vigília Pascal.
3. Procissão do Enterro do Senhor:
Na Sexta-Feira Santa realiza-se a tradicional Procissão do Enterro do Senhor. Tem inicio na Igreja do Calvário às 22.00h e termina na Igreja da Misericórdia.
Semana Santa: Programação
1. Na Igreja de Nª Sª Auxiliadora (Salesianos)
Quinta-Feira Santa: 18.30h - Eucaristia comemorativa da Última Ceia e da Instituição da Eucaristia, com lava-pés.
Sexta-Feira Santa: 18.30h - Celebração da Paixão do Senhor com adoração da Cruz e Comunhão.
2. Na Sé
Quinta-Feira Santa: 10.00h - missa crismal, renovação das promessas sacerdotais e benção dos santos Óleos.
18.30h - Missa da Ceia do Senhor seguida de adoração eucaristica. (das 22.00h às 23.00h, a cargo da Paróquia de Nª Sª Auxiliadora).
Sexta -Feira Santa:10.00h - celebração de Laudes;
15.00h - celebração da Paixão do Senhor com adoração da cruz e comunhão.
Sábado Santo: 10.00h - celebração de Laudes; 21.30h - Solene Vigília Pascal.
3. Procissão do Enterro do Senhor:
Na Sexta-Feira Santa realiza-se a tradicional Procissão do Enterro do Senhor. Tem inicio na Igreja do Calvário às 22.00h e termina na Igreja da Misericórdia.
quarta-feira, 25 de março de 2009
DIÁRIO
Blogue Perdeum
Post 11, 23 Março 2009
“O NOSSO REBANHO É MAIOR QUE O DO PAPA”
Todos somos sabedores do reboliço suscitado pela resposta que o Papa Bento XVI deu a um jornalista que lhe perguntou, no voo desde Roma aos Camarões, sobre a sida e a sua prevenção, no dia 17 de Março passado. Não pretendo agora dizer coisas novas, nem atear mais o fogo, nem acusar ninguém, nem sequer defender o Papa, que não necessita da minha defesa. Simplesmente pretendo partilhar a minha relativa surpresa por tamanhas reacções e justificá-la.
Afirmou o Sumo Pontífice, respondendo a uma pergunta na informal Conferência de Imprensa a bordo do avião: Não se pode resolver [o problema do sida] com a distribuição de preservativos. Esta medida até pode agravar o problema, defendeu o Sumo Pontífice. A solução está antes, acrescentou, num despertar humano e espiritual, numa humanização da sexualidade.
As reacções a este pronunciamento do Papa têm sido desmesuradas, injustas e, por vezes, deformadoras da verdade do dito e acontecido. Para constatá-lo, só basta dar uma olhadela para as manchetes dos jornais dos dias 18 e 19 de Março. Na secção de “Sobe e desce”, Bento XVI era colocado invariavelmente no lado do “desce”.
A Senhora Dulcelina Serrano, directora do Instituto Nacional de Luta contra a Sida (INLS), de Angola, indignada com as palavras do Papa, garantiu que as pessoas que seguem as recomendações do Instituto ultrapassam numericamente a comunidade católica: “O nosso rebanho é maior que o do Papa”.
O jornal “Público”, de 18 de Março – um jornal sério e habitualmente objectivo -, sem nada informar sobre o discurso do Papa no aeroporto de Yaoundé, nesse mesmo dia, só comentava as referidas palavras do Papa no avião. E concluía assim, na secção “Sobe e desce”, da última página: “Sabe-se que África é um continente desgraçado em muitas frentes. A sida é um dos muitos problemas e é aí que se concentra o maior índice mundial de infectados. Voltar a criticar o uso de preservativos, posição histórica da Igreja, às portas duma visita a África é uma atitude incompreensível. Por que não a opção pelo silêncio, num tema tão sensível?”
Penso que o Papa, como aconselha o jornal, teria optado pelo silêncio sobre os preservativos. Suponho que em nenhum dos seus muitos discursos nos Camarões e em Angola, durante estes dias, o Papa mencionará a “camisinha”, mesmo que fale da pandemia da sida e do contributo da Igreja e dos cristãos em prol dos doentes de sida. Porque o Papa falou no assunto? Porque foi perguntado. E porque falou nos termos em que falou? Porque é a “posição histórica da Igreja”, como confessa o jornal. A minha pergunta agora vai para os jornalistas: Porque perguntam se já conhecem de antemão a resposta? Quiçá para poder criticar o Papa, armar uma falsa polémica, desprestigiar a Igreja ou preencher espaço nos jornais?
Alguns até ousavam frisar que o Papa, muito longe da misericórdia que motivava a conduta de Jesus, estava a condenar milhões de africanos a morrer de sida.
A que vai o Papa a África? A impor a moral sexual da Igreja e a condenar os preservativos? A que vai? O deixou bem claro no seu primeiro discurso, supramencionado, ao aterrar em Yaoundé, em que se apresentou como quem quer falar palavras de esperança e conforto para toda a África, como aquele que quer confirmar seus irmãos na fé católica e como portador dum Documento sobre “A Igreja em África ao serviço da reconciliação, da justiça e da paz”. Textualmente frisou: “Mesmo no meio dos maiores sofrimentos, a mensagem cristã traz consigo esperança… Diante da dor ou da violência, da pobreza ou da fome, da corrupção ou do abuso de poder, um cristão nunca pode ficar calado”.
A fé da Igreja em Jesus de Nazaré, a paz, a justiça, a reconciliação, a esperança, a misericórdia para com os que sofrem fome, doenças, estão sozinhos, são os valores que o Papa leva a África; ao mesmo tempo que denuncia a corrupção, a pobreza, a violência.
A Igreja é portadora dum ideal moral, do qual não pode abdicar, mesmo que isso lhe acarrete impopularidade e até perseguição. Mas a Igreja sabe também que todo o ser humano, todos e cada um dos seus membros, sem excluir o próprio Papa e a quem isto subscreve, são frágeis e pecadores. E nem por isso se deixa de pertencer ao rebanho de Bom Pastor. Também os católicos usamos o preservativo, porque somos pecadores em exercício. Mas nem por isso ficamos excomungados. Nos arrependemos, nos confessamos e voltamos a lutar contra o pecado…
Se alguém viesse consultar comigo, padre católico, e se exprimisse nestes termos:
-- Padre, sou fraco e pecador. De vez em quando permito-me alguma licencia moral e faço sexo, e não com a minha mulher, porque não tenho. Que faço? Uso ou não a camisinha?
-- Filho, sê casto, com a graça de Deus - lhe aconselho.
-- Nem sempre me aguento. É por isso que consulto. Que é menos imoral: fazer sexo com ou sem a camisinha? Já sei que a Santa Mãe Igreja… Mas, compreenda, padre…
Podem imaginar a minha resposta, que acho que seria a mesma do Papa. Mas não me peçam – e menos à Igreja na pessoa do Papa - que pregue a favor do preservativo nem que faça campanhas para a sua distribuição gratuita.
Não sei qual dos rebanhos será mais numeroso: o do Papa ou o da Senhora Dulcelina. Mas sim gostaria de informar à Directora do INLS de Angola, onde está a chegar o Papa aquando isto escrevo, que no rebanho da Igreja cabem também os que por fraqueza se protegem com o preservativo, se arrependem de pecar contra a castidade, se confessam, e continuam a luta da superação moral e espiritual.
Mais dois acrescentos para terminar:
Também compreendo por quê o Papa disse que as campanhas a favor do preservativo podem agravar as coisas. Para não alongar-me mais, os leitores perceberão que o que eu quero dizer está maravilhosamente resumido no provérbio: Semearam ventos, colherão tempestades (Os 8, 7).
A segunda matização: A Igreja não é parte do problema da sida no mundo; é parte da sua solução. Um botão de amostra: Estando eu a escrever este artigo, chegou às minhas mãos a revista “Sal terrae”, deste mês de Março, que inclui um depoimento acerca do serviço de luta contra a sida que os Jesuítas têm na Região de Ruanda-Burundi. Neste sentido o Papa já falou e continuará a falar incentivando os cristãos a lutar denodadamente contra o "terrível flagelo da SIDA" e em prol das pessoas contagiadas. No ranking mundial da luta contra a sida, depois das instituições da ONU vêm as da Igreja Católica. Com que armas luta a Igreja nesta guerra?
Primeiro, com a educação à responsabilidade das pessoas no uso da sexualidade e com a reafirmação do papel essencial do matrimónio e da família.
Segundo, com a pesquisa e a aplicação de tratamentos eficazes da SIDA e colocando à disposição do mais amplo número de doentes as muitas iniciativas e instituições de saúde.
Terceiro, com a assistência humana e espiritual aos doentes de SIDA, como de todos os sofredores, que desde sempre estão no coração da Igreja.
P. Vicente Nieto
Blogue Perdeum
Post 11, 23 Março 2009
“O NOSSO REBANHO É MAIOR QUE O DO PAPA”
Todos somos sabedores do reboliço suscitado pela resposta que o Papa Bento XVI deu a um jornalista que lhe perguntou, no voo desde Roma aos Camarões, sobre a sida e a sua prevenção, no dia 17 de Março passado. Não pretendo agora dizer coisas novas, nem atear mais o fogo, nem acusar ninguém, nem sequer defender o Papa, que não necessita da minha defesa. Simplesmente pretendo partilhar a minha relativa surpresa por tamanhas reacções e justificá-la.
Afirmou o Sumo Pontífice, respondendo a uma pergunta na informal Conferência de Imprensa a bordo do avião: Não se pode resolver [o problema do sida] com a distribuição de preservativos. Esta medida até pode agravar o problema, defendeu o Sumo Pontífice. A solução está antes, acrescentou, num despertar humano e espiritual, numa humanização da sexualidade.
As reacções a este pronunciamento do Papa têm sido desmesuradas, injustas e, por vezes, deformadoras da verdade do dito e acontecido. Para constatá-lo, só basta dar uma olhadela para as manchetes dos jornais dos dias 18 e 19 de Março. Na secção de “Sobe e desce”, Bento XVI era colocado invariavelmente no lado do “desce”.
A Senhora Dulcelina Serrano, directora do Instituto Nacional de Luta contra a Sida (INLS), de Angola, indignada com as palavras do Papa, garantiu que as pessoas que seguem as recomendações do Instituto ultrapassam numericamente a comunidade católica: “O nosso rebanho é maior que o do Papa”.
O jornal “Público”, de 18 de Março – um jornal sério e habitualmente objectivo -, sem nada informar sobre o discurso do Papa no aeroporto de Yaoundé, nesse mesmo dia, só comentava as referidas palavras do Papa no avião. E concluía assim, na secção “Sobe e desce”, da última página: “Sabe-se que África é um continente desgraçado em muitas frentes. A sida é um dos muitos problemas e é aí que se concentra o maior índice mundial de infectados. Voltar a criticar o uso de preservativos, posição histórica da Igreja, às portas duma visita a África é uma atitude incompreensível. Por que não a opção pelo silêncio, num tema tão sensível?”
Penso que o Papa, como aconselha o jornal, teria optado pelo silêncio sobre os preservativos. Suponho que em nenhum dos seus muitos discursos nos Camarões e em Angola, durante estes dias, o Papa mencionará a “camisinha”, mesmo que fale da pandemia da sida e do contributo da Igreja e dos cristãos em prol dos doentes de sida. Porque o Papa falou no assunto? Porque foi perguntado. E porque falou nos termos em que falou? Porque é a “posição histórica da Igreja”, como confessa o jornal. A minha pergunta agora vai para os jornalistas: Porque perguntam se já conhecem de antemão a resposta? Quiçá para poder criticar o Papa, armar uma falsa polémica, desprestigiar a Igreja ou preencher espaço nos jornais?
Alguns até ousavam frisar que o Papa, muito longe da misericórdia que motivava a conduta de Jesus, estava a condenar milhões de africanos a morrer de sida.
A que vai o Papa a África? A impor a moral sexual da Igreja e a condenar os preservativos? A que vai? O deixou bem claro no seu primeiro discurso, supramencionado, ao aterrar em Yaoundé, em que se apresentou como quem quer falar palavras de esperança e conforto para toda a África, como aquele que quer confirmar seus irmãos na fé católica e como portador dum Documento sobre “A Igreja em África ao serviço da reconciliação, da justiça e da paz”. Textualmente frisou: “Mesmo no meio dos maiores sofrimentos, a mensagem cristã traz consigo esperança… Diante da dor ou da violência, da pobreza ou da fome, da corrupção ou do abuso de poder, um cristão nunca pode ficar calado”.
A fé da Igreja em Jesus de Nazaré, a paz, a justiça, a reconciliação, a esperança, a misericórdia para com os que sofrem fome, doenças, estão sozinhos, são os valores que o Papa leva a África; ao mesmo tempo que denuncia a corrupção, a pobreza, a violência.
A Igreja é portadora dum ideal moral, do qual não pode abdicar, mesmo que isso lhe acarrete impopularidade e até perseguição. Mas a Igreja sabe também que todo o ser humano, todos e cada um dos seus membros, sem excluir o próprio Papa e a quem isto subscreve, são frágeis e pecadores. E nem por isso se deixa de pertencer ao rebanho de Bom Pastor. Também os católicos usamos o preservativo, porque somos pecadores em exercício. Mas nem por isso ficamos excomungados. Nos arrependemos, nos confessamos e voltamos a lutar contra o pecado…
Se alguém viesse consultar comigo, padre católico, e se exprimisse nestes termos:
-- Padre, sou fraco e pecador. De vez em quando permito-me alguma licencia moral e faço sexo, e não com a minha mulher, porque não tenho. Que faço? Uso ou não a camisinha?
-- Filho, sê casto, com a graça de Deus - lhe aconselho.
-- Nem sempre me aguento. É por isso que consulto. Que é menos imoral: fazer sexo com ou sem a camisinha? Já sei que a Santa Mãe Igreja… Mas, compreenda, padre…
Podem imaginar a minha resposta, que acho que seria a mesma do Papa. Mas não me peçam – e menos à Igreja na pessoa do Papa - que pregue a favor do preservativo nem que faça campanhas para a sua distribuição gratuita.
Não sei qual dos rebanhos será mais numeroso: o do Papa ou o da Senhora Dulcelina. Mas sim gostaria de informar à Directora do INLS de Angola, onde está a chegar o Papa aquando isto escrevo, que no rebanho da Igreja cabem também os que por fraqueza se protegem com o preservativo, se arrependem de pecar contra a castidade, se confessam, e continuam a luta da superação moral e espiritual.
Mais dois acrescentos para terminar:
Também compreendo por quê o Papa disse que as campanhas a favor do preservativo podem agravar as coisas. Para não alongar-me mais, os leitores perceberão que o que eu quero dizer está maravilhosamente resumido no provérbio: Semearam ventos, colherão tempestades (Os 8, 7).
A segunda matização: A Igreja não é parte do problema da sida no mundo; é parte da sua solução. Um botão de amostra: Estando eu a escrever este artigo, chegou às minhas mãos a revista “Sal terrae”, deste mês de Março, que inclui um depoimento acerca do serviço de luta contra a sida que os Jesuítas têm na Região de Ruanda-Burundi. Neste sentido o Papa já falou e continuará a falar incentivando os cristãos a lutar denodadamente contra o "terrível flagelo da SIDA" e em prol das pessoas contagiadas. No ranking mundial da luta contra a sida, depois das instituições da ONU vêm as da Igreja Católica. Com que armas luta a Igreja nesta guerra?
Primeiro, com a educação à responsabilidade das pessoas no uso da sexualidade e com a reafirmação do papel essencial do matrimónio e da família.
Segundo, com a pesquisa e a aplicação de tratamentos eficazes da SIDA e colocando à disposição do mais amplo número de doentes as muitas iniciativas e instituições de saúde.
Terceiro, com a assistência humana e espiritual aos doentes de SIDA, como de todos os sofredores, que desde sempre estão no coração da Igreja.
P. Vicente Nieto
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